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15 fantásticos locais para visitar na Galiza

A Galiza é o irmão que foi separado de Portugal à nascença e tem muito de semelhante ao nosso país. Descubra os melhores locais para visitar na Galiza.

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11. Ancares

Os Ancares é, juntamente com O Courel, o maior espaço natural da Galiza. É também Reserva da Biosfera e o último reduto da presença do urso pardo em terras galegas. Território selvagem e fascinante, habitado desde tempos pré-históricos mas isolado e inacessível até há pouco tempo, Os Ancares lucenses estão formados por vales com as suas povoações e aldeias encaixadas entre picos de 2000 m de altura. Durante séculos, a vida decorria aqui nas palhoças, cabanas circulares com tecto de palha onde conviviam pessoas e animais domésticos. Hoje em dia, as palhoças são uma visita obrigatória, com algumas delas convertidas num interessante museu etnográfico. Florestas de carvalhos, castanheiros, faias, azevinhos, avelãzeiras e bétulas. Prados de urze e giesta. Javalis, cervos, camurças, raposas, cabritos-monteses… e lobos.

Ancares
Ancares

Ancares é o nome original do rio que emprestou a sua sonoridade às montanhas mágicas entre a Galiza e Leão. Exercem o seu magnetismo de longe, presas de horizontes a uns escassos dois mil metros. Entra-se nelas com um especial estado de admiração e respeito, por caminhos que procuram os cumes encostados a estreitos e profundos vales. Nas povoações mais altas descobriremos as “palhoças”, ancestrais construções de planta circular e tecto de palha malhada. Parece que as suas formas curvas mas régias se inspiram nos cumes das montanhas, suaves e agrestes. Os rios que descem pela vertente galega procuram todos eles o Navia, que cinge completamente o espaço protegido pelo oeste e conduz as águas para o Cantábrico. Um bom exemplo é o belo vale lavrado pelo rio Ser ou as gargantas do rio Rao, no município de Navia de Suarna. A vertente leonesa, pelo contrário, desagua no sul, na bacia do Sil.

 

12. Cabo Finisterra

Os romanos pensavam que este era o ponto mais ocidental da terra e, portanto, era aqui que o mundo acabava. Era o “finis terrae”. Porque razão alguém viria ao fim do mundo? Talvez porque o Cabo Finisterra esconde o verdadeiro segredo da Costa da Morte: paisagens agrestes e praias impressionantes, umas (ao abrigo do cabo) de águas tranquilas e outras de forte ondulação, como a Mar de Fora, uma das praias mais selvagens da Galiza. E a grande atracão de todos os tempos: o por-do-sol sobre a imensidão do oceano, o mar do fim do mundo. Seja por curiosidade ou para viver uma aventura, o Cabo Finisterra foi um imã desde a mais remota antiguidade, atraindo viajantes de países longínquos e também, com menor fortuna, os inúmeros barcos que naufragaram nas suas águas.

Cabo Finisterra
Cabo Finisterra

Hoje, com o seu potente farol, o Cabo Finisterra continua a exercer uma atracção especial sobre os peregrinos do Caminho de Santiago, que não dão por terminada a sua viagem até chegar aqui. Por algo será. Desde o princípio dos tempos, Finisterra evoca um mistério indecifrável na alma dos homens. As raízes da aura lendária destas paragens, abertas à imensidão do Oceano Atlântico, descansam na mitologia dos primeiros povoadores da Europa. Os antigos acreditavam que o mundo terrenal dava lugar, com a chegada da morte, a outra existência numa ilha situada a oeste, onde o sol se punha. Nas lendas celtas, e frequente encontrar imagens de heróis que fazem a sua última viagem até este paraíso numa barca de pedra. Esta união de pedra, mar e espiritualidade perdura em diversas formas ao longo da Costa da Morte.

 

13. Fragas do Eume

Fragas do Eume é uma das florestas atlânticas ribeirinhas melhor conservadas da Europa. Dentro dos seus 9000 hectares de extensão vivem menos de 500 pessoas, o que dá uma ideia do estado virgem destas exuberantes florestas que seguem o curso do rio Eume. O parque tem a forma de um triângulo cujos vértices e fronteiras seriam As Pontes, Pontedeume e Monfero. A melhor forma de conhecer o parque é a pé. Assim, quem os souber ver, talvez descubra os brincalhões duendes que nele habitam. Aqui, dão-se os carvalhos, os choupos, os freixos, os amieiros, mais de 20 espécies de fetos e 200 de líquenes. Por vezes, a vegetação é tão densa que mal deixa passar a luz. Mas esta floresta umbria e secreta é generosa, tal como as suas águas, fontes e cascatas. Aqui não há verde, aqui há paisagens de mil verdes. E escondido no coração da floresta, o mosteiro de Caaveiro, um antigo cenóbio com mais de 10 séculos de história e umas espectaculares vistas desta “fraga” mágica.

Fragas do Eume
Fragas do Eume

O rio Eume, com uns cem quilómetros de comprimento no total, lavrou na maior parte do seu curso médio e final um profundo desfiladeiro. As abruptas ladeiras, nalguns pontos com 300 metros de desnível, conservam o manto vegetal original das florestas atlânticas. Uma floresta como todos nós sonhamos: a espessura, as estações transformadas em cores, um rio que conhece a aventura do salmão e procura a proximidade do mar para se tornar ria… Porque “fraga” significa floresta com árvores de diferentes espécies. Os carvalhos e castanheiros constituem o manto caducifólio, juntamente com as bétulas e amieiros, freixos e teixos, avelãzeiras e árvores de frutos silvestres; nas árvores de folha perene, temos os loureiros, azevinhos e medronheiros. Todos juntos formam uma selva heterogénea em que cada espécie ocupa o seu lugar. Os sobreiros, por exemplo, têm nestas ladeiras orientadas a sul o seu limite setentrional na Galiza. Nas margens húmidas e sombrias, conserva-se uma ampla colecção de líquenes, musgo e fetos, que são uma das jóias das florestas climáticas como a do Eume, herança da Era Terciária.

 

14. Ferrol

Cidade curtida em mil batalhas, Ferrol é uma sábia mistura de cultura, elegância urbana e poderio militar. Para entrar no ambiente, continuamos o passeio pelo Bairro da Magdalena, traçado exactamente como uma tablete de chocolate, seguindo o racionalismo da Ilustração, e com maravilhosos edifícios modernistas como o Teatro Jofre. Se gosta da história naval, visite o Castelo de San Felipe, as Fortalezas e, em especial, o Arsenal. Construído no século XVIII sob os ares da Ilustração, o Arsenal é um complexo de obras hidráulicas e de edifícios únicos na Europa, entre os quais se inclui o Museu Naval, visita obrigatória e de grande entretenimento.

Ferrol
Ferrol

Mas, além disso, Ferrol guarda surpresas como a sua Semana Santa, a mais antiga e espectacular de toda a Galiza… E um gosto pela boa mesa que se reflecte nos seus mercados, pastelarias e cafés. Tal como disse Napoleão: “Um brinde pelos valentes ferrolanos!” Uma experiência que o viajante não deve deixar de viver é a visita ao Castelo de San Felipe, que nos evocará épocas passadas e a importância que o elemento militar teve na construção e no desenvolvimento da cidade. Fortaleza nos arredores da cidade, à beira-mar, na boca da ria. Oferece belas e estratégicas vistas da cidade e uma vista panorâmica muito ampla da ria. A sua origem encontra-se em 1589, quando a cidade foi visitada pelo monarca Felipe II e pelos seus engenheiros militares. Em 1732, sob a direcção de La Ferrière, realizam-se obras de ampliação, terminadas em 1775.

 

15. Serra do Xurés

O parque começa em Ourense e ao atravessar a linha que o separa de Portugal torna-se no Parque Peneda-Gerês… Aqui, as florestas não conhecem fronteiras. Limia é um rio único. Escavou um corredor natural ao lado do qual a história foi deixando a sua marca humana. Nele, reúne-se um tecido fluvial que se desdobra em cascatas e quedas de água, repousa em barragens sucessivas, atravessa a fronteira e cede no fim as suas águas ao Atlântico. Ligam-se assim o maior Parque Natural da nossa comunidade ao de maior importância em Portugal, o Parque Natural Peneda-Gerês. Juntos, alcançam um só espaço protegido de carácter transfronteiriço, único na Europa. Trata-se da “raia seca”, dado que o traçado fronteiriço não se situa nos rios mas no alto das serras: O Laboreiro, Queguas e Quinxo ao norte; Santa Eufemia, O Xurés e O Pisco, ao sul. Os pontos mais elevados alcançam os 1500 metros de altitude, combinam as formas suaves dos velhos montes galegos com as mais abruptas.

Serra do Xurés
Serra do Xurés

Picos e fragmentos graníticos redondos (bolos) que o tempo encavalgou em complicados equilíbrios, são um dos sinais de identidade da zona. Encontraremos monumentos megalíticos, lendas de ouro e testemunho da passagem dos legionários romanos pela calçada XVIII ou Vía Nova. Os miliários que deixaram na calçada que ligava as capitais romanas de Braga e Astorga ainda permanecem de pé. A calçada atravessava a única passagem natural entre estes montes, a mítica Portela do Home, ponto fronteiriço de acesso ao território português. Construções populares como os moinhos, colmeias amuralhadas (alvarizas), cabanas de pastores (chivanas), espigueiros, fornos, caminhos e cercas revelam a alma mais criativa dos seus povoadores. Um património herdado da tradição na dúzia de núcleos rurais que até à actualidade mantiveram a actividade agropecuária dentro do Parque. Bem como as aldeias d’O Couto Mixto, o território que manteve até ao ano de 1868 um estatuto de privilégios independente de Espanha e Portugal.

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