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11 danças tradicionais portuguesas

Do norte ao sul e passando pelas ilhas. Do malhão ao vira, do corridinho à tirana: 11 danças tradicionais portuguesas.

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Vira do Minho

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Corridinho

Corridinho
Corridinho

Nos primeiros anos do século XX nasce o célebre corridinho. Facto curioso e que muitos desconhecem é que este tipo de música teve origem numa dança de salão nascida nos meados do século passado, algures na Europa oriental, e trazida para o Algarve por um espanhol chamado Lorenzo Alvarez Garcia, que decidiu cortejar a jovem louletana Maria da Conceição, dedicando-lhe La Azucena – uma polca. O corridinho nasce então como dança de cortejo.

Instrumento fundamental do corridinho é o acordeão, que chegou à região algarvia nos finais do século XIX. O novo instrumento popularizou-se rapidamente, enriquecendo os repertórios locais. As danças de salão então em voga – as polcas e as mazurcas – passam a entrar, interpretadas em acordeão, nos bailaricos do campo ao lado dos velhos sarilhos e bailes de roda. Os tocadores inventam-nas e reinventam-nas, acabando por nascer o corridinho.

O corridinho era bailado com os pares sempre agarrados, formando uma roda, as raparigas por dentro e os rapazes por fora. Ao girar da roda, os pares evoluem, portanto, de lado. A certa altura, «quando a música repica», «o bailho é rebatido», isto é, os pés batem no chão com mais vigor, parando a roda, para prosseguir logo de seguida. Mais adiante, os pares «valseiam», entenda-se bailam agarrados girando no mesmo lugar, após o que a roda de novo retoma a sua evolução, sempre para o lado direito. Com algumas variantes de pormenor, foi assim que captámos a coreografia do corridinho estremenho.

Bailinho da Madeira

Bailinho da Madeira
Bailinho da Madeira

De certo que já todos viram dançar o “Bailinho da Madeira” ou pelo menos, tal como ele é conhecido no continente: um grupo, vestido com o traje típico da ilha das flores, que dança em torno do instrumento regional típico da Madeira: o brinquinho. É um instrumento composto por um grupo de sete bonecos de pano e traje regional com castanholas e fitilhos, dispostos na extremidade de una cana de roca e animados por movimentos verticais na mão do portador, isto é, o bailinho tal como a maioria das pessoas o conhece.

No entanto existe outro, trata-se do bailinho que surge nos arraiais típicos da ilha, onde se canta ao desafio e se dança em coreografias inventadas no momento. A este divertimento dá-se o nome de brinco. É cantado e dançado por todos, sem qualquer regra ou restrição. Não é necessário traje, pois basta querer para entrar na roda.

Eduardo Pereira descreve o ambiente no segundo volume do livro lhas de Zarco da seguinte forma: “ao som da viola de arame do rajão ou da braguinha, o povo canta ao desafia em serões de aldeia, soalheiros e romarias, improvisando certames poéticos que evocam, o seu lirismo antigas cortes de amor e imitam as tenções palacianas reproduzidas nos cancioneiros e na tradição”. O mote é dado pelo tocador. Depois vai passando de elemento para elemento até completar a roda e voltar ao ponto de partida. Cada mote consiste em dois versos de uma quadra. O que se segue deve responder de forma a completar a rima e o assunto.

Pauliteiros de Miranda

Pauliteiros de Miranda
Pauliteiros de Miranda

No planalto mirandês existem grupos de oito homens que vestem saias e tem paus. Dispensam apresentações. Já todos os conhecem: são os Pauliteiros de Miranda. Com os saiotes brancos, lenços, os chapéus e os pauliteiros transportam uma tradição que procuram defender com unhas e dentes. E apesar de já não existirem tantos grupos como antigamente. As letras, os passos e os trajes ainda se mantêm fiéis à origem.

Mas o mais óbvio é perguntarmo-nos: de onde vem esta tradição?

A origem não está definida. Contudo, há quem defen­da que se trata de uma dança guerreira, que descende de tempos Greco-romanos e que os homens foram adaptando e transformando á sua maneira. Segundo este ponto de vista, os paus mais não são do que a substituição do escudo e da espada. É por isso que o pau da mão esquerda defende e o da mão direita ataca.

Quanto ao traje, o lenço mais não é do que um adorno, bastante garrido, que varia consoante o homem que o usa. E no que diz respeito à saia, ainda hoje, quando chega o momento da “dança da velha”, hábito típico do dia 1 de Janeiro em Vila Chã, os homens se vestem de mulheres e vão para a rua. Pegam na “dianteira”, que é uma faixa em linho que envolve a cama e colocam-na à sua volta. A dança de paus mais típica e tradicional é a “capanitas de Toledo”.

É uma canção que não nega a forte, influência espanhola. Influência essa, que é evidente no fado das letras das canções surgirem no dialecto mirandês ou na língua espanhola. A letra desta canção fala das igrejas importantes de Espanha e também da gastronomia, que seriam possivelmen­te dois motivos de interesse das pessoas da região: os belos monumentos e os fartos enchidos. É uma dança onde não faltam as principais maneiras de bater os paus: pau picado”, (bate no próprio pau antes de bater no do colega) “pau por baixo” (da cintura) e “pau por cima”.

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