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Personalidades portuenses de origem judaica ou descendentes de judeus

Estabeleceram-se há muitos séculos na invicta e contribuíram decisivamente para o seu progresso. A história desconhecida da comunidade judaica do Porto.

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Aboab, Emanuel (1555-1628)

Sinagoga do Porto
Sinagoga do Porto

Intelectual, nasceu no Porto onde foi educado pelo seu avô, Abraão Aboab. Viveu em Itália, nomeadamente em Pisa e daqui partiu para Corfu, na Grécia, onde conviveu com Orazio del Monte, sobrinho do Duque de Urbino, que o protegeu. Posteriormente regressou a Itália, Veneza, onde foi rabino. Foi autor de um livro de direito tradicional, onde elencou as personalidades que mais defenderam esse mesmo direito, que foi publicado pelos seus descendentes em Amsterdão, em 1629.

Beigel , Eliezer

Sinagoga do Porto
Sinagoga do Porto

Judeu de origem polaca é filho de Nathan Beigel, o presidente da Comunidade Israelita do Porto que sucedeu a Barros Basto. Ainda hoje, aos 80 anos de idade, faz parte dos órgãos sociais dessa Comunidade a que também presidiu. É também uma figura muito respeitada comércio portuense.

Castelo Branco, Camilo (1825-1890)

Camilo Castelo Branco
Camilo Castelo Branco

Um dos mais prolíferos escritores portugueses de sempre. É também um dos autores que mais usa a temática judaica na sua obra. Vários livros nos falam de judeus, rituais cripto-judeus e nota-se uma compaixão da sua parte pelas perseguições, ódios e incompreensões de que foram alvo ao longo dos tempos. Livros onde a temática judaica é central, ou importante: O Judeu, 1866 (este livro fala-nos de António José da Silva); O Olho de Vidro, 1866; Cavar em Ruínas, 1867; A Caveira da Mártir, 1875-76; Boémia do Espírito, 1886. Neste último livro Camilo diz-nos que a sua família, por parte do pai, é de ascendência judaica e estudiosos confirmam esta realidade, inclusive com a divulgação de processos encontrados nos arquivos da Inquisição onde se mencionam antepassados de Camilo que foram inquiridos pelos esbirros do Santo Ofício. O próprio Capitão Barros dizia que a leitura de alguns dos livros de Camilo o sensibilizaram para a questão dos marranos.

Gabriel da Costa/ Uriel da Costa ( 1579 – 1640 )

Uriel da Costa
Uriel da Costa

Gabriel da Costa, em 1579 na Rua das Flores e não em 1590, como muitos biógrafos afirmam. Foi o investigador Mendes dos Remédios que. numa aprofundada pesquisa na Universidade de Coimbra onde Uriel cursou Direito Canónico, descobriu a data real do nascimento. Os seus pais, Bento da Costa e Sara da Costa eram cristãos-novos. Foi católico até aos 22 anos e, a partir daqui, as dúvidas começam a atormentá-lo o que o leva a estudar o judaísmo talvez para encontrar as respostas para as suas inquietações mais profundas. Abandona o Porto e vai viver para Amesterdão, cidade conhecida pela sua relativa, tolerância para com as confissões religiosas. É aqui que muda o nome de Gabriel para Uriel da Costa ou Uriel Abadot, mas também vai usar o pseudónimo de Adam Romez. Mas nem aqui o seu espírito belicoso vai ter paz pois edita o panfleto intitulado «Tratado da Imortalidade da Alma», onde nega a possibilidade da imortalidade da alma. Este libelo é uma resposta às acusações lançadas sobre si pelo seu adversário Samuel da Silva. Luta contra a visão mais ortodoxa do judaísmo e vai fazer muitas inimizades e rancores, o que leva a que seja excomungado não só pela Sinagoga de Amesterdão, como também pelas de Hamburgo e Veneza, com quem a Sinagoga holandesa mantinha estreitas relações.

Uma situação que também deve ter perturbado Uriel da Costa é o facto de a sua mãe se ter reconciliado com a comunidade: O medo de correr o risco de ficar insepulta por causa das heresias do seu filho levaram-na a rever a sua atitude, o que deverá ter desgostado um homem perturbado e dado a desequilíbrios como era Uriel. Após avanços e recuos, a que não falta a acusação de que tentou assassinar um adversário e vendo-se totalmente ostracizado pela comunidade, vai suicidar-se em 1640.

Agustina Bessa Luís, em 1984, dedicou a Uriel da Costa uma biografia intitulada «Um Bicho na Terra»: nesta obra a romancista vai afirmar que para ele a tragédia era amar a sua religião e odiar a disciplina que ela impõe. Um homem que não acreditava na transcendência, nos dogmas, nos milagres, na imortalidade e afins não poderia sentir-se bem nem no catolicismo, nem no judaísmo, nem em religião alguma.

Na Rota dos Judeus no Porto
Na Rota dos Judeus no Porto

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